Você tem o hábito de contar histórias para seu filho?

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Loving mother reading a story to her cute daughter.

ARTIGO REDIGIDO POR:
– Maria Cristina Metzger Branco 
– Daniele Alves de Souza Debiasio

Contar e encantar!

Lembro bem… era uma tarde de um domingo ensolarado. Só se ouvia o som daquela voz melodiosa e o farfalhar dos galhos das árvores ao serem tocados pelo vento.

Essa voz trazia um conto, uma lembrança dos tempos de criança do meu avô. Aquelas palavras me soavam como um roteiro de aventura, me faziam sonhar, imaginar e me colocar no lugar do conto. Agora, eu era a protagonista daquela divertida experiência e o final seria qualquer um que eu pudesse sonhar.

As boas histórias, que nos fazem lembrar de algo marcante de nossas vidas, são passadas de pai para filho e são responsáveis pela construção das memórias afetivas mais significantes da infância. O ato de contar e narrar histórias é um ritual de passagem de uma geração para outra. É o amor em palavras que transmite nossa cultura, crenças e paixões.

Crianças são encantadas por histórias, seja pelo contato com os livros ou pelas narrativas que deleitam seus ouvidos. 

Mas qual é o benefício? 

Ouvir histórias é essencial para o desenvolvimento integral do indivíduo. 

Quando as histórias permitem a experiência de viver diversas emoções, como o medo, a alegria, a raiva e a coragem, elas possibilitam que a criança desenvolva um repertório emocional. Assim, ao vivenciar esses sentimentos nas situações reais, não haverá novidade, pois a criança já vivenciou as experiências em um ambiente seguro: o ambiente das histórias.

Outra questão fundamental proporcionada pelas narrativas é a capacidade de criar, explorar, construir e sonhar. Com isso, a criança passa a se conhecer e desenvolver potencialidades que serão fundamentais para enfrentar os desafios da vida, e passa a acreditar que também pode ser o “herói” ou a “heroína” de sua própria história.

Ainda, considerando o momento delicado que estamos vivemos, o ato de ouvir e/ou contar histórias também é uma maneira de estreitar, ainda mais, o vínculo entre a família e a criança. Por isso, uma ótima sugestão é criar um ambiente aconchegante e acolhedor, para tornar essa experiência prazerosa e única. Um instante que dure para sempre

Quais outros estímulos a criança desenvolve ao ouvir histórias?

Ao ter contato com o universo literário, a criança amplia seu vocabulário, levanta hipóteses sobre as palavras que desconhece, se inspira no modelo do adulto leitor, estimulando o hábito da leitura, e estrutura suas narrativas. 

Ela também tem contato com diferentes culturas, amplia seu repertório visual, por meio das imagens e ilustrações dos livros, e tem a possibilidade de construir mundos possíveis, processo em que a imaginação será a norteadora das grandes aventuras que a criança viverá.

A contação de histórias é uma ação que entretém, orienta e instiga a criança de uma forma divertida, além de contribuir com a formação de seu caráter e auxiliar nos momentos de frustrações, a partir da representatividade dos personagens nas narrativas.

Mas como contar uma história?

Sabemos que, na atual circunstância, a cultura cibernética está cada vez mais inserida nos contextos dos lares. No entanto, por mais que tecnologias atraiam todos os sentidos dos nossos pequenos, ainda, o ato de ouvir histórias é um dos momentos mais esperados e ansiados pelas crianças (COELHO, 2012). 

Antes de dar algumas dicas sobre esse momento de encantamento, uma pergunta: você sabe se existe diferença entre ler e contar histórias? Sim! 

Quando estamos lendo um livro, chamamos esse momento de mediação da leitura, no qual reproduzimos o texto na íntegra para a criança. Já quando estamos contando a história, como a própria palavra já diz, há a ideia de que o narrador expõe o texto sem o recurso do livro. Ele conta, à sua maneira, algo que leu, ouviu ou se inspirou em sua trajetória de vida. Por exemplo, quando contamos algum acontecimento de família para a criança, estamos contando uma narrativa. 

Contar histórias é uma arte viva e que precisa ser mantida. Que tal aproveitar algumas das dicas abaixo para tornar esse momento ainda mais encantador?

Permita que a criança escolha o livro que será lido. Não se preocupe se ela repetir a mesma obra por vários dias, pois a criança precisa disso para se apropriar da história, ou, em alguns casos, ela repete porque se identifica com um personagem da história e gosta muito dele.

● Não é porque a história está sendo contada para crianças que você precisa falar como elas, portanto, não infantilize o som da sua voz e procure não falar o texto no diminutivo. A criança precisa ouvir como se pronunciam corretamente as palavras, assim, poderá ampliar seu repertório e imaginar os significados. Uma dica é procurar junto à criança o significado real de alguma palavra que ela não conheça.

● Esta é uma dica de ouro: crianças têm uma capacidade interpretativa incrível, então, que tal, ao final da história, fazer simplesmente silêncio em vez de enchê-las de perguntas sobre o que entenderam ou o que mais gostaram da história. Vale, também, em determinados dias, perguntar o que a criança sentiu ao ouvir aquela narrativa.

● Se quiser variar sua estratégia de contação de histórias, use objetos cotidianos para representar algo ou algum personagem. As crianças têm grande potencial imaginativo. Só não exagere no número de recursos. 

Prepare um lugar especial para os momentos da leitura e esteja realmente presente enquanto leva a magia e o encantamento das histórias para a vida do seu pequeno. 

E qual história contar?

A escolha do livro é essencial para esse momento. A criança pode escolher o tema da leitura, mas dependendo da situação, o adulto pode escolher. Se quiser, traga a temática de um personagem adorável que consegue enfrentar o medo de dormir sozinho em seu quarto, por exemplo. Nessa hora, os combinados são ótimos recursos para conduzir as escolhas.

Mas existe obra certa para cada faixa etária? Alguns sites e editoras especialistas nesta área apresentam uma classificação bem variada e ampla. No entanto, apresentando nossa experiência, podemos enfatizar: história boa serve para qualquer idade. O que se faz necessário é somente adaptar a contação de história conforme o público, como no caso dos bebês e das crianças bem pequenas, que apresentam tempo de concentração menor e, por isso, é necessário que o narrador reproduza uma narrativa mais breve.

O ato de contar histórias é um ato de amor. É um ato de se dar e estar para o outro. É uma forma de acreditar que, por meio da imaginação, do sonho e do encantamento, conseguiremos empoderar a criança, permitindo que suas capacidades consigam transformar seu mundo em um lugar melhor, pois ela estará envolta em um universo mágico: o mundo das histórias.

Referências

COELHO, N. N. O conto de fadas: símbolos – mitos – arquétipos. Coleção ressignificando linguagens. 4. ed. São Paulo: Paulinas, 2012. 

SAVELI, E. de L. Leitura na escola: as representações e práticas de professoras. 1. ed. Curitiba: [s.n.], 2017. 

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