Por que devemos incentivar a capacidade científica em crianças e jovens?

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A ciência existe para investigar, elucidar e melhorar a vida das pessoas. A história da humanidade comprova que a evolução científica, com o desenvolvimento de tecnologias, trouxe muitos benefícios, em todas as épocas. É claro que o conhecimento pode, infelizmente, ser usado também para fins perversos – e temos exemplos claros disso, especialmente a partir da segunda metade do século XX.

Mesmo assim, as civilizações tiveram mais ganhos do que perdas a partir da curiosidade e do pensamento crítico. Portanto, o conhecimento científico pode ser explorado positivamente para que nós e as futuras gerações vivamos de maneira mais confortável, harmônica e saudável. Para isso, é importante que as crianças e os jovens de hoje entrem em contato com a própria capacidade de reflexão e se descubram potenciais cientistas.

Ciência na escola

De acordo com Irinéia Scota, coordenadora da Mostra de Soluções do Colégio Positivo, os aspectos do pensamento científico e das práticas da ciência podem ser introduzidos já no Ensino Fundamental – Anos Iniciais. “Essa é uma fase de perguntas, curiosidade e verificação. Por isso, é possível estimular a atividade intelectual e ajudar a estrutura do pensamento, por meio de hipóteses e objetivos – como ocorre na produção científica”, explica.

É recomendável, então, que desde cedo o jovem tenha vivências em laboratórios escolares, espaços onde é provocado a analisar fatos e fenômenos de todas as áreas do conhecimento. Gradativamente, os estudantes aprendem a exercer a autonomia do pensamento, a elaboração de generalizações e a criatividade. E isso é bastante saudável, porque eles compreendem que são capazes de investigar suas questões e organizar e expor suas ideias.

“Por meio de experimentos, pesquisas e coleta, tratamento e análise de dados, crianças e jovens pesquisadores desenvolvem habilidades que lhes dão condições de pensar cientificamente, comunicar dados, fazer arguições e refletir criticamente sobre a própria vida”, diz Irinéia. Para ela, a escola tem papel básico nesse processo, promovendo o debate de ideias e munindo o aluno com ferramentas que o permitem entender e buscar soluções para os problemas.

AgroAtóxico: um caso exemplar

As alunas Sarah Bernard Guttman e Luiza Fontes Bonardi, da 2ª série do Ensino Médio do Colégio Positivo – Ângelo Sampaio são um exemplo a ser seguido quando o assunto é ciência. Em 2018, quando ainda estavam no 9º ano, elas deram início ao projeto AgroAtóxico, com o objetivo de mudar a realidade da agricultura brasileira.

O trabalho foi tão bem-sucedido que recebeu como prêmio na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) de 2020 uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Orientadas pela professora Suellyn Homan, as estudantes aplicaram métodos científicos para o desenvolvimento de fórmulas e a realização de testes em pequena e média escala, os quais originaram um produto ambientalmente responsável que substitui os agrotóxicos.

“O produto é muito barato e atende a todas as necessidades dos produtores orgânicos, exercendo função herbicida, fungicida, pesticida, bactericida e até estimulante de crescimento”, conta Sarah. Segundo a pesquisadora, para atingir esse nível de excelência, ela e sua colega conduziram as pesquisas tendo sempre em mente a saúde da população e a sustentabilidade.

O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Em 2017, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) divulgou um dado preocupante: naquele ano, 886.250 toneladas de defensivos foram usados, colocando nosso país no topo da lista de uso desses produtos. Os agrotóxicos causam prejuízos para a saúde não só do consumidor mas também do produtor, além de gerar consequências negativas ao ecossistema.

Diante desse cenário, o AgroAtóxico é uma iniciativa imprescindível para a recuperação da qualidade de vida, especialmente no que se refere aos hábitos alimentares. O produto é 100% natural e orgânico, não leva aditivos e pode ser produzido pelo próprio agricultor. “A receita será divulgada assim que o processo de registro da patente for finalizado. Portanto, o produto não será comercializado, justamente para disseminar o consumo de alimentos orgânicos”, completa Sarah.

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