Saúde mental: empatia, escuta e resiliência em meio à pandemia

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Girl Supporting Sad Boy Sitting Alone on Playground

Saúde mental: empatia, escuta e resiliência em meio à pandemia

Em tempos de distanciamento social, o estresse, a ansiedade, o medo e a angústia são sentimentos que muitos de nós estamos experimentando, às vezes, de forma inconsciente, mas que se expressam em momentos de agitação, raiva e impaciência.

Nossas relações foram inesperadamente modificadas para que pudéssemos lidar com o inimigo invisível que estamos enfrentando. Mas o que podemos aprender com essa experiência? 

Talvez esse seja o momento de parar para refletir sobre a educação das crianças e adolescentes, que, para além do que é ensinado na escola, deve estar pautada em valores como respeito, solidariedade e empatia, assim como na resiliência. Mas o que isso significa?

Empatia e escuta

Os termos empatia e escuta têm sido recorrentemente discutidos. Isso porque o momento que estamos vivenciando exige, mais do que nunca, que abramos nossos olhos e – principalmente – nossos ouvidos para aquilo que o outro está sentindo. É o momento de nos disponibilizarmos para a escuta e nos colocarmos no lugar do outro.

Empatia é a capacidade psicológica que uma pessoa tem de sentir o que o outro sente e de se colocar no lugar dele e compreender seus sentimentos, sem julgamentos, mesmo que estes sentimentos sejam de difícil compreensão para a pessoa que ouve. A escuta está relacionada à empatia uma vez que é a ação de se colocar disponível para escutar o que o outro tem a dizer e se mostrar interessado pelo que ele tem a relatar sobre seus sentimentos.

De acordo com Maísa Pannuti, psicóloga, doutora em Educação, assessora de Psicologia do CIPP – Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento e supervisora do Serviço de Psicologia Escolar – SerPsi – do Colégio Positivo, educar uma criança não se restringe a proporcionar oportunidades para que ela aprenda e desenvolva competências para um futuro promissor. Mas consiste também em desenvolver sua autonomia para a tomada de boas decisões, o que requer levar em conta o outro, respeitá-lo e desenvolver valores morais sólidos.

O indivíduo que exercita a empatia e a escuta em suas relações tem uma formação integral e completa. Aproveitar as dificuldades enfrentadas na pandemia para estimular a escuta empática e a solidariedade pode ser uma fonte de bons frutos para o futuro das crianças.

E a resiliência?

Resiliência é a capacidade que as pessoas têm de se adaptar às mudanças. Segundo a psicóloga Maísa Pannuti, as crianças são muito mais resilientes do que podemos imaginar, e a tendência natural de proteção dos pais em relação aos filhos, muitas vezes, pode levar à falsa interpretação de que as crianças estão sofrendo em excesso, dadas as limitações da situação. No entanto, às vezes, deixamos de perceber que os pequenos descobrem formas incríveis e engenhosas de lidar com as adversidades.

Assim, os pais devem cumprir o importante papel de, ao mesmo tempo, proteger seus filhos, mas também informá-los sobre o que está acontecendo. Omitir informações não significa proteger. Isso pode gerar ansiedade e privar as crianças de desenvolverem sua resiliência. É importante que a família estabeleça um canal de comunicação sobre o que está acontecendo e seja clara sobre como passará, de maneira unida, por esse momento. Assim como é importante reforçar que tudo isso passará.

Para ajudar a reduzir os problemas emocionais nesse momento de pandemia, a psicóloga Maísa Pannuti recomenda algumas atitudes que podem auxiliar na saúde emocional das crianças e adolescentes.

Manter o contato com os colegas, mesmo que apenas via internet, é essencial.

“Incentivamos bastante, nas escolas, o trabalho em grupo, mesmo que de forma digital, para que o contato com os colegas, que é uma ferramenta poderosa no desenvolvimento de competências socioemocionais, não seja perdido”, conta Maísa.

Além disso, os momentos de debates, jogos e leitura em família também auxiliam no desenvolvimento da inteligência emocional  das crianças e adolescentes. Por fim, a psicóloga destaca que “o diálogo é o melhor remédio de todos”, tanto com a família quanto com amigos e colegas.

Para saber mais, confira o vídeo da Maísa para a websérie Mitos e Verdades, falando um pouco sobre o tema “Ao cuidar do outro, você está cuidando de si?”.

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