Poesia: um fenômeno atemporal

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No Dia Mundial da Poesia, entenda como a intenção poética atravessa o tempo e se mostra indissociável de qualquer produção artística

O exercício de criar ou apreciar poemas faz parte da humanidade desde tempos longínquos. Antes mesmo de a escrita ter surgido, a poesia – pela transmissão oral ou outras manifestações artísticas – já permeava o cotidiano das sociedades como um veículo de expressão, de entretenimento e de interpretação da vida.

Os registros mais antigos de poemas são os épicos, como a Epopeia de Gilgamesh, um documento precioso, considerado a primeira obra literária da história humana. Escrito por volta de 2000 a.C., ele narra as aventuras de Gilgamesh, rei de Uruk (atual Iraque), na busca pela imortalidade.

Esse poema mesopotâmico, escrito pelos sumérios, foi encontrado por arqueólogos em doze tábuas de argila, cada uma contendo cerca de 300 versos. A descoberta ocorreu durante uma escavação no século XIX, na região correspondente à antiga cidade assíria de Nínive.

Desde então, muitas composições, de diferentes estilos, foram eternizadas, relevando fatos históricos, o estilo de vida e as visões de mundo de sociedades ancestrais. Ou seja, não só poemas brilhantes mas também o ato poético foram preservados durante milênios, mostrando que são íntimos do jeito humano de existir.

Culturas remotas

Há poemas que remontam a tempos distantes e também a culturas pouco conhecidas. Na Austrália, por exemplo, aborígenes contam histórias de hoje e do passado por meio de versos, preservando a identidade de seus antepassados nômades e tornando a literatura aborígene reconhecida internacionalmente.

Oodgeroo Noonuccal, nascida em 1920, foi a primeira aborígene australiana a publicar um livro de poemas. Além de poeta, atuou como ativista política, artista e educadora, envolvendo-se em campanhas pelos direitos de seu povo. Veja uma estrofe do poema O último de sua tribo:

Você, cantor de antigas canções tribais,

Você, líder uma vez no corroboree*,

Você, duas vezes em ferozes batalhas tribais,

Com inimigos selvagens e sombrios do outro lado do rio.

Todo mundo se foi, todo mundo se foi

E eu sinto a queima repentina de lágrimas, Willie Mackenzie,

No abrigo do Exército de Salvação.

*O corroboree é uma cerimônia tradicional na qual os aborígenes australianos interagem por meio da dança, da música e do vestuário.

Uma arte que alimenta outras

Apesar de ser considerada uma das sete artes tradicionais, a poesia é, na verdade, um fenômeno que faz parte de todas as formas de arte: a literatura, as artes plásticas, a música, a dança, o teatro, o cinema, a fotografia, a culinária etc. Afinal, toda obra artística é resultado de uma intenção poética.

A maioria das pessoas acredita que poesia e poema são a mesma coisa. Mas poesia é algo muito maior. Enquanto poema é um gênero textual, a poesia é algo que abrange a inspiração, a emoção e o sentimentalismo, os quais estão presentes em alguma obra – seja ela um poema, uma escultura ou uma dança, por exemplo.

O poema obedece a técnicas específicas e tem características formais e estéticas, diferentemente da poesia, que não é necessariamente um texto. Tudo aquilo que encanta, inspira e sensibiliza pode ser considerado poesia. Isso significa que ela acontece até mesmo na ausência de palavras.

Ao contemplar uma pintura, podemos sentir alegria, dor, melancolia, entusiasmo, paz… Essas emoções são despertadas justamente pela qualidade poética da arte, que surge com a inspiração do artista. Uma maneira genuína de se comunicar, não é? É por isso que os poemas e todas as artes nunca se tornam obsoletas. A vida pode ser poesia.

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