E viva a bagunça!

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Little child playing superhero in the kids room. Girl power concept.

Os anos de 2020 e 2021 entrarão para a história da educação brasileira. Muitas serão as abordagens de pesquisa para esse período em que o mundo parou por conta de uma pandemia, a qual originou a doença Covid-19 (Coronavírus) e teve origem em Wuhan, na China.

O que pretendemos refletir é como as nossas crianças estão lidando com aulas remotas, sem o contato presencial com amigos, professores, funcionários e sem a rotina dinâmica da escola, que tanto ensina, e com a retomada das aulas presenciais. Como estão as crianças sem a escola? Como algumas crianças estão na retomada das aulas presenciais? De que maneira a infância está sendo tratada no âmbito familiar?

Famílias inteiras estão compartilhando apenas o mesmo teto, pois as preocupações, necessidades e desejos são bem diferentes.

A nossa preciosidade nesse texto é a criança. A criança que foi tolhida da convivência e da experiência que é poder compartilhar o mesmo espaço com outras pessoas. Assim, cabem reflexões sobre o que podemos fazer para que o desenvolvimento emocional, afetivo, físico e motor continuem evoluindo.

O que nos acalma é que… a criança está sempre aprendendo! Ela aprendeu a se colocar diante de câmeras para poder interagir em aulas remotas. Ela soube driblar a saudade, com choro, birra e irritação, assim como nós. O momento é de acolher as crianças, e isso inclui seu choro, suas birras e sua irritação.

Nesse momento em que todos estamos órfãos da presença uns dos outros, é muito importante, não só para a criança, mas também para o adulto, que a relação de amor, carinho e escuta seja respeitada.

As crianças não são miniadultos, são crianças em sua inteira maneira de ser e isso não as coloca em um patamar inferior ao nosso. Elas pensam, imaginam e interagem de uma maneira íntegra, natural e verdadeira. É só você lembrar de quando você era a criança e de como ficava feliz quando era ouvido em suas verdades e necessidades.

Lembremos do filme de Roberto Fellini “A vida é bela”. Em meio ao caos de uma guerra, o pai soube trazer leveza ao seu filho por meio do faz de conta. Sabemos que aquela história é ficção, mas nos traz a importância de, por alguns momentos diários, trazer essa leveza para as crianças, trazer esse faz de conta para as suas vidas e transformar as relações, enriquecendo-as com afeto, valorizando a infância e fortalecendo o vínculo familiar. E se estamos fortalecidos de amor, estamos preparados para os desafios da vida.

Sempre imagino como estão as crianças que vivem e desfrutam apenas de seus apartamentos. Mas também me lembro de que quando eu era criança: todo o espaço pequeno me parecia grande. A partir dessa reflexão, vemos a importância de utilizar os espaços disponíveis para criar ambientes em que a criatividade da criança possa fluir. Se você não tem a menor ideia de como fazer, é só chamar seu filho. A escuta genuína é a prova da nossa presença e é um grande presente que podemos dar ao outro. Garanto que surgirão cabanas, cavernas, florestas e riachos

As possibilidades criadas e pensadas pelas crianças ainda não possuem o filtro que a nossa mente possui e que nos limita. Confie na imaginação de seu filho! E é bem importante ressaltar: a bagunça é a nova ordem dos ambientes

Esse momento de pandemia criará memórias em todos nós. Memórias de um tempo único e de uma experiência de vida. Há situações que não podemos controlar e respeitamos os diferentes modos que cada família encontrou para viver em resposta ao momento. Mas aproveitamos para fazer uma pausa e olhar para a simplicidade da infância e de todo o amor que cabe nos braços de uma criança.

Andréia Maria Nogueira Godoy
Hannyni Mesquita

 

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